Freguesia de Dardavaz - Parque Varzea do Homem

Na Freguesia de Dardavaz existem varias lendas relacionadas com factos ocorridos na região, com datas longínquas e outras que é possível datar por estarem associadas a dados históricos ou que terão servido mesmo para dar nome a povoações, como poderá ter acontecido quanto à Várzea do Homem.

A este propósito “reza” a Lenda que no tempo em que a Várzea do Rio Criz, designadamente na margem esquerda deste rio, após a transposição da atual ponte – que terá sido construída sobre as fundações de uma antiga via romana – já era uma zona de regadio, devidamente explorada, onde existiam moinhos movidos pela ação da agua e, no planalto da encosta, virada a sul, existiriam também os silos ou palheiros para recolha de cereais e outros produtos, bem como os fornos comunitários para a confeção do pão, e aonde naturalmente, acorreria muita gente, não só devido à concentração de víveres, mas também por ser uma zona de atravessamento do Rio Criz para acesso a povoações situadas para lá da outra margem e, até, como rota no atravessamento sul da serra do Caramulo, via Malha Pão de Baixo, Agadão e Aveiro – Porto Fluvial, importante para a entrada e saída de mercadorias e também de pessoas.

Neste contexto, e ao tempo em que reinava em Portugal o Rei D. Pedro I, terá então surgido à volta dos tais palheiros, uma personagem enigmática, pois não se identificava, dizendo apenas um pobre vivente sem família nem abrigo, diferenciando-se dos demais viajantes porquanto passou a permanecer naquela zona, como abrigo ou compra de pão com o dinheiro que obtinha de alguns passantes mais generosos. Sem se ausentar para as povoações preferindo o espaço compreendido entre a Várzea do Criz e o Vale do Homem, sendo este ultimo local, ainda hoje, conhecido com esta designação, sito nas proximidades da povoação de Múceres, em Múceres, da freguesia de Castelões.

Sucedeu que tal como este personagem apareceu, de surpresa, da mesma forma se ausentou passado determinado período, até que voltou mais tarde, então já como senhor livre e capacitado para mandar erigir um pequeno templo no qual deixara a imagem de São Salvador, sob o pretexto de que São Salvador lhe alcançara uma grande graça, desejando que a sua verdadeira identidade só fosse do conhecimento da entidade religiosa que superentendia na paroquia de Dardavaz. Esta condição foi respeitada durante um curto período de tempo, acabando por ser divulgada, primeiramente às pessoas que habitavam na povoação que entretanto adotaram o nome de Várzea do Homem, em cujo centro terá sido erguida uma pequena capela e posteriormente a toda a freguesia, que assim ficou a saber que o principal personagem desta lenda não era mais nem menos que Dom Diogo Lopes Pacheco, conselheiro de D. Afonso IV e um dos três implicados ou acusados da morte de Dona Inês de Castro, o qual conseguiu escapar à sentença de morte promulgada pelo Dom Pedro I, e, após a morte deste Rei ter sido perdoado.

Hoje esta capelinha já não existe, por ter havido necessidade de ser transferida para dar lugar ao alargamento da rua que dá o acesso principal à Povoação de Várzea do Homem, passando a figurar no topo norte do planalto da encosta virada a sul como resta a imagem que afirmam ser a original e estar à guarda de um familiar de um dos principais colaboradores da construção da nova Ermida ou Capela da Várzea do Homem, com a finalidade de ser mantida a sua preservação.

Colaboração de Manuel Henriques na presente edição da lenda.